"Caminhante, tuas pegadas são o caminho (...)
Não há caminhos; faz-se o caminho ao andar".
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domingo, maio 25, 2014

Trauma pode ser transmitido de avós para netos

Eventos estressantes vivenciados na infância, como negligência ou abuso, deixam marcas e não raro, se manifestam em problemas psíquicos na vida adulta. Agora, um estudo mostra que as sequelas podem extrapolar gerações: filhos e netos de pessoas que sofreram traumas tendem a ser mais ansiosos e vulneráveis ao estresse.
Os bioquímicos Larry Feig e Lorena Saavedra-Rodríguez, da Universidade Tufts, em Massachusetts, estimularam o estresse em ratos jovens, mudando-os seguidamente de gaiola ao longo de sete semanas. Quando os animais se tornaram adultos, os pesquisadores os submeteram a testes que avaliam a ansiedade social em roedores, como a frequência com que se aproximam e interagem com ratos desconhecidos. As fêmeas adultas apresentaram comportamentos mais ansiosos em comparação com animais do grupo de controle, mas os machos não. Entretanto, posteriormente, os filhotes dos ratos de ambos os sexos mostraram-se mais vulneráveis ao estresse que a média.
O interessante, segundo Feig e Lorena, é que os ratos machos do início do estudo transmitiram o comportamento para as fêmeas de sua terceira geração, as “netas”. “Estudos anteriores sugerem que as fêmeas têm maior risco de ansiedade, o que pode ser causado por uma interação de fatores sociais e bioquímicos”, diz Feig. Ele afirma, porém, que é cedo para estender os resultados a humanos. “Os ratos do estudo foram criados em gaiolas simples, com número limitado de influências ambientais. Humanos, claro, são sujeitos a uma variedade muito maior de estímulos e também têm a habilidade de desenvolver formas de enfrentamento”, acredita.
(Fonte: Revista Mente e Cérebro de fevereiro/2013)

As Constelações também apontam para esta questão, através do que chamamos de transgeracional e também da "criança ferida" (TSFI- Alexandra Caymmi)

segunda-feira, dezembro 03, 2012

O Destino nas Constelações




A compreensão de nosso destino e o assentimento a ele estão no cerne do trabalho das constelações. Chamamos de destino as forças que, vindas do passado, nos ligam inelutavelmente ao efeito bom ou funesto de certos eventos. O efeito dos acontecimentos nos é imposto, quer o queiramos ou não, e não temos a possibilidade de interferir nele.

A força do destino se revela, em relação a acontecimentos traumáticos numa família, de uma forma às vezes inquietante. Nas constelações experimentamos constantemente, e de modo impressionante, que somos muito pouco livres e reeditamos em própria vida, sem o saber nem querer, destinos passados e acontecimentos dolorosos, numa espécie de compulsão repetitiva. O efeito maior das constelações consiste em nos fazer perceber como, sem necessidades próprias, revivemos necessidades passadas e não aquietadas de outras pessoas, como se o que passou tivesse de ficar em paz e se tornar definitivamente passado. Este é o pão habitual do trabalho com constelações.

A concordância com a ligação ao destino significa por acaso fatalismo? De maneira nenhuma. Pelo contrário. É verdade que a configuração de nossa vida pelos destinos anteriores não pode ser anulada, mas para o futuro nos tornamos mais livres através do que se mostra nas constelações. Então o destino alheio poderá ser de algum modo exteriorizado, tornando-se uma interface à qual já não estamos cegamente entregues. Pois a alma não liga indissoluvelmente a destinos, ela nos libera deles através de um insight, de um movimento próprio inconsciente ou, às vezes, de um modo totalmente casual (com ou sem constelação).

Numa época em que às vezes julgamos que nossa vida esta completamente em nossas mãos - uma ilusão de muitos individualistas -, o reconhecimento do destino e o assentimento à ligação com o destino próprio e alheio constitui um desafio. Tanto nos acostumamos à idéia de uma livre razão e de uma autonomia individual que nos recusamos a reconhecer o que em épocas passadas foi descrito como daimonía e eudaimonía - a triste sina e a felicidade presenteada. O trabalho das constelações é seguramente uma afronta a uma psicoterapia que valoriza acima de tudo a autonomia e a emancipação individual e considera a humildade como uma submissão. Porém basta ler jornais e romances para perceber como atua o destino e como o nosso poder e a nossa impotência partilham a realidade.

Muitas pessoas sentem, instintivamente, como um processo benéfico a reverência diante do destino ou diante de pessoas a que somos ligados pelo destino. Uma reverência autêntica é quase sempre experimentada por nós como solução e liberação. Quem precisa se curvar não é a criança pequena, mas o adulto. E a reverência abarca vários processos: o ato de curvar-se, o deixar que algo morra, e o ato de erguer-se. Bem longe de ser um processo humilhante, a reverência exige coragem. Ela proporciona força, alívio da respiração e abertura de espaço.

O destino, como força que inelutavelmente dispõe, não faz caso de nossa vontade: ele a toma de roldão, sem esperar o nosso consentimento. O destino não é uma pessoa, embora freqüentemente seja representado por uma pessoa nas constelações. É um acontecimento direcionado a partir do passado, um movimento que nos liga, através da alma, à realidade maior. Quantas vezes os clientes falam de sua luta para não se tornarem iguais a seu pai ou a sua mãe, e quantas vezes acrescentam que essa luta resultou em fracasso! Quantos clientes quiseram fazer melhor que seus pais, e quantos confessam que não o conseguiram! Um dos paradoxos da vida humana é que a luta contra o destino nos liga ainda mais a ele, e o assentimento ao destino nos torna mais livres. É como um redemoinho num rio. Quem luta contra a sua sucção é puxado ainda mais para o interior, e quem sem pânico se entrega à sua força é muitas vezes impelido para fora.

Reconhecimento do destino não significa entregar-se à doença sem vontade e com resignação. Significa acompanhá-la com as forças do corpo e da alma. Então, como num redemoinho, elas são de novo liberadas da atração da doença ou da morte. Aqui muitas vezes faz sentido perguntar: O que há na doença que quer curar? Naturalmente, o doente precisa de apoio externo. E muitas constelações ajudam pessoas enfermas a se confiarem aos serviços médicos. Mas as constelações também as fazem confrontar-se com a morte. Uma senhora, gravemente doente, procurava saber através de uma constelação as causas de sua doença. O representante da morte, colocado diante dela, olhou-a com carinho, colocou-se ao lado dela e abraçou-a pelo ombro. Ela se defendeu com lágrimas, mas o representante da morte não cedeu. Dois anos depois, essa senhora escreveu ao terapeuta: "Eu me defendi muito contra a morte, e finalmente a aceitei. Agora ela está a meu lado já há algum tempo, e estou viva". Mas também existe o movimento oposto. Outra mulher em estado grave, que se sentia fortemente atraída a seguir na morte seu pai, enredado em grave culpa, pediu ao terapeuta que se esforçava por desprendê-la da morte: "For favor, deixe-me ir para meu pai!" Ela se deitou junto do representante do pai, estreitou-o nos braços, sorriu para ele com amor entre lágrimas, até que se acalmou completamente. Na continuação do grupo ela atuou com alegria e energia e colocou muitas questões práticas sobre seu comportamento em relação ao marido e aos filhos. Notou-se que ela se preparava para sua morte. Que vontade terapêutica teria aqui a força e o direito de se opor à sua morte?

 (Jakob Schneider)

Como se posicionar dentro da família?


Uma das características que demonstram emaranhamento sistêmico dentro de uma família é a confusão de papéis entre vários membros. Um pai não está no seu lugar – como pai ou marido, por exemplo. Ou uma mãe não está no lugar da esposa e mãe. Os filhos também não estão no papel de filhos, e muitas vezes interferem na vida dos pais. Da mesma forma, os pais querem interferir na vida dos filhos adultos. Irmãos querem mandar em irmãos. Você já viu situações como esta, não é mesmo? Tudo isso está fora da ordem.

Antes de falar sobre a ordem na família, vou explicar o que é emaranhamento: emaranhamento quer dizer que as pessoas não se encontram numa ordem adequada, onde o amor pode fluir por todos os membros familiares. As pessoas estão identificadas com situações do passado ou até com vivências de ancestrais, e por isso, não conseguem viver uma vida livre e plena, aqui e agora. Essa identificação com o passado impede de viver plenamente o aqui e agora, com toda energia vital. As emoções ficam distorcidas, um sujeito sente-se extremamente cobrado numa situação, sem ter tantas razões para isso, enquanto que outro se sente culpado, sem saber o porquê. E então, estas emoções distorcidas são jogadas para dentro do relacionamento familiar, com cobranças mútuas, acusações, sentimentos de culpa, gente se fazendo de vítima, outros chantageando, outros ainda agredindo… lembra até a comédia italiana Parente Serpente, de Monicelli…

Eu acho engraçado porque minha família não foge à regra… Bem, mas vamos ao que interessa: como se posicionar diante de tudo isso? Como trabalho com constelação familiar sistêmica, vou expor a visão de Bert Hellinger. Tenho visto muitas pessoas se libertando deste círculo vicioso de jogos, culpa e acusação, somente aplicando no dia-a-dia uma das regras que Hellinger chama de hierarquia. Lógico que não é tão simples, pois se estamos envolvidos em embrulhos familiares, estamos atolados até o pescoço destas emoções distorcidas, e temos nossa parcela de responsabilidade. Na verdade, temos toda a responsabilidade pela nossa felicidade! Nada é culpa dos parentes, sejam eles pais, irmãos ou antepassados.

Por isso, diria que a primeira parte da sua libertação é assumir a total responsabilidade pela própria felicidade. Assim, vamos falar das ordens. A primeira é: um pai ou mãe vieram primeiro. Eles deram a vida. Só este fato já é o suficiente para que o filho tenha profunda reverência por eles. E gratidão. Mesmo que eles não tenham suprido o filho com as necessidades de carinho, afeto e até mesmo materiais. Mesmo que tenham abandonado, maltratado, desprezado. Eles vieram primeiro. Sem eles, não teria a vida. E lógico, sem a vida, não teria o filho. Um filho que guarda mágoas ou até raiva dos pais está automaticamente desperdiçando energia que seria direcionada para a própria vida e para a criação dos próprios filhos – e sofrerá…

Parece duro, e sei que muitos pais deram razões para que seus filhos tivessem raiva e até ódio deles, mas este é o nosso quinhão de aprendizado espiritual desta vida. E quando percebemos que o que eles fizeram foi por absoluta impossibilidade e incapacidade de fazer melhor, e olhamos para os pais dos pais, começamos a acolher nossa vida e nossa infância como ela foi. Isso é libertador! Profundamente!

Por outro lado, os pais não devem mais interferir na vida dos filhos, a partir da idade em que eles estão prontos para a vida… e isso ocorre por volta dos 20 anos ou um pouco mais. Não digo que não deve haver relacionamento entre pais e filhos… o que eu digo é que, a partir daí, o filho deve se virar sozinho: os pais já deram o que era necessário para que eles crescessem. A felicidade ou infelicidade do filho não depende dos pais. Se eles se pegam nisso, é porque cobram os próprios pais de terem dado pouco, e transferem este sentimento de vitima aos próprios filhos… Depois falam que isso é amor. Pode?

E entre irmãos. O que Hellinger diz? Irmãos são iguais entre si. Ninguém tem que cobrar ninguém. Por uma questão temporal, o irmão mais velho tem um pouco mais de autoridade. Porém, entre adultos, isso é praticamente irrelevante. Não deve haver interferência entre irmãos. Não há esta necessidade, e se isso ocorre, mostra um emaranhamento sistêmico, onde irmãos se colocam no lugar de pai e mãe… Isso está totalmente fora da ordem.

Veja: estas regras são absolutamente simples, e se você analisar com cuidado, verá que são lógicas. Mas é importante dizer: elas são utilizadas principalmente onde existem questões emocionais, terapêuticas envolvidas. Pessoas estão sofrendo. Estão umas sobre as outras. Quando a relação é saudável, e lógico, respeitando as tradições culturais de povos onde as famílias são muito unidas, estas regras não são importantes. Mas quando existe esta confusão familiar, se aplicadas, principalmente após o trabalho com a constelação familiar sistêmica, elas produzem um resultado fabuloso de libertação para aquela pessoa que decide buscar sua liberdade, expandir sua vida e poder se dar mais ao próximo, às pessoas que realmente podem receber dela, ao invés de perder tempo e vida em relacionamento familiar distorcido. Somente assim, o verdadeiro amor pelos pais e pela família pode se manifestar. Sem culpa, sem cobrança, sem apego… e livre. E você? Como está a sua relação com a família?

Constelação sistêmica com Alex Possato e Aguinailda Rosa

5 Fatores do Sucesso Herdados dos Antepassados



Dentro dos trabalhos de constelação sistêmica, sejam nas familiares ou nas profissionais, vemos que as pessoas se identificam com estados emocionais vindos de algum familiar, às vezes distante. Como trabalhamos questões, digamos assim, problemáticas, pode parecer que só herdamos características “pesadas”, que trazem dificuldades, e não é bem assim… A ciência, desde os anos 50, está identificando algumas características de personalidade que eles atribuem aos genes, e cada pessoa possui todas as características, umas mais afloradas, outras menos. Não é a toa que vemos, por exemplo, uma linhagem familiar onde existem vários casos de pessoas empreendedoras, aventureiras, investidores… A constelação demonstra que as informações são passadas de geração em geração, e cabe ao próprio indivíduo se identificar com elas ou não se identificar. A boa nova é que esta identificação pode ser alterada, quando a pessoa toma consciência daquilo com que está identificado. Assim, se ele está identificado com um aspecto emocional que não lhe é adequado para ganhar dinheiro, ele pode se “desidentificar” e trabalhar outro aspecto que lhe seja favorável.
Vemos que isso pode ser feito com maior ou menor facilidade, dependendo do foco da pessoa.

Dois focos: fuga da dor ou busca do prazer
Existem dois focos principais, que norteiam as emoções, pensamentos e comportamentos das pessoas: fuga da dor ou busca do prazer. Como em tudo, na vida, temos sempre as duas coisas, em doses distintas. Ambos os focos, de certa forma, motivam e podem levar alguém a ganhar dinheiro. Por exemplo, a pessoa que “foge” do passado pobre, usa o sofrimento como fator motivador para prosperar. A questão é a dose. É como a história da vacina antiofídica: um pouco de veneno da cobra cura. Muito do veneno, mata…
Já a busca do prazer, é a mesma coisa: é um motivador que pode impelir pessoas ao sucesso. Mas a overdose disso pode levar alguém, por exemplo, às drogas e ao descontrole.
É necessário, na realidade, saber manter a distância deste tipo de foco. Nem a fuga da dor nem a busca do prazer devem ter muito crédito, porque este tipo de motivação está fortemente influenciado pelas emoções. Os melhores focos para empreender são aqueles baseados na auto-estima, no se achar bom o suficiente, e não em buscar algo ou fugir de algo.

As 5 características herdadas do sistema familiar

Vamos falar um pouco das características que você tem nos seus genes?

São: abertura para experiências, consciência, extroversão, afabilidade e neurose. São estas as 5 características que trazemos dos nossos antepassados, em maior ou menor grau, com diversas submodalidades entre elas. Lembro que o comportamento também é influenciado pelo ambiente, ou seja, quanto mais você se provocar a mudar coisas que não lhe são favoráveis, mais você adquire características que antes não tinha.

Abertura para experiências: este traço mede o quanto o sujeito é aberto a novas experiências e idéias. Fazer diferente, de jeito diferente, buscar o novo, aceitar idéias diferentes da sua são fatores importantes para você empreender, criar, inovar e ganhar dinheiro.

Consciência: mede o quanto você está “consciente” e afim de concluir suas metas, tomando para isso decisões que incluem disciplina, método, perseverança, flexibilidade. Saber se observar, se auto-motivar e mudar quando necessário é fundamental para o sucesso.

Extroversão: mede até que ponto você gosta de agir e atuar com pessoas. Ganhar dinheiro e fazer sucesso depende dos outros, afinal… quem é que vai investir em você? Quem é que vai aplaudi-lo? Quem é que vai comprar seus produtos? É bom que fique claro que extroversão, em termos de negócio, não é ser “aparecido”. Estamos falando em ganhar dinheiro, onde o sujeito tem claro foco em fazer negócios, contatos, networking. Isso pode e deve ser treinado.

Afabilidade: aí é um item muito interessante. Mas muito mesmo. Minha parceira Theresa, alemã, percebe no brasileiro uma característica muito grande de cooperação e de evitar conflitos. Isto não ocorre no povo germânico. E eu, que tenho origem japonesa e vivi três anos no Japão, também garanto que não é uma característica nipônica. A questão não é dizer que ser afável é certo ou errado. A questão é que a afabilidade pode ser extremamente prejudicial para quem é líder, empreendedor, para quem quer ser um sucesso. Como o mestre Nelson Rodrigues dizia, a unanimidade é burra. O líder sempre desafiará opiniões, sempre terá que afastar pessoas, ser duro em várias situações. Nada de mãozinha na cabeça. Isso é ótimo para pessoas que desejam ser e permanecer assistentes administrativos, mas não para quem quer ser sucesso.

Neurose: chegou o item que eu mais gosto. Herdamos também cargas de “neurose”, que influenciam nossos pensamentos e emoções. Este item diz sobre a capacidade que você tem de ter controle, estabilidade emocional. Mede até que ponto você reage forte e negativamente diante das tensões da vida. Quase todos nós somos mais ou menos neuróticos. A questão não é essa. Nem quer dizer ser feliz e iluminado o tempo todo. Estamos falando de sucesso. A questão é saber colocar as emoções de lado e fazer aquilo que é o mais correto sem deixar-se interferir pelos seus medos, taras, ansiedade. Somos um povo muito expansivo em relação às emoções, o que eu vejo com bons olhos. Adoro ver gente sincera, estejam elas felizes ou tristes. Mas quando o assunto é agir diante de um rombo no orçamento (e eu disse agir, e não ficar esperando enquanto a situação se resolva de alguma forma), a capacidade de controlar a emoção é fundamental, e diferencia os fracos dos fortes, os vencedores dos fracassados. É isso, não há meio termo.

Todos estes atributos são trabalhados na constelação sistêmica familiar e profissional, e podem ser modificados, principalmente porque todos eles possuem um forte cunho emocional atrelado. Quando alteramos a emoção, abrimos espaço para novos comportamentos.

(Alex Possato)

terça-feira, abril 05, 2011

Dúvidas Frequentes sobre Constelações Familiares

O que é constelação familiar?

Trata-se de um método de ajuda baseado nas descobertas do alemão Bert Hellinger. Ele se baseia no uso de representantes neutros para representar membros da família ou grupo social do cliente. Hellinger descobriu que há 3 leis (ou necessidades) que atuam na família: hierarquia (estabelecida pela ordem de chegada), pertencimento (estabelecido pelo vínculo), equilíbrio (estabelecido pelo dar e tomar/receber). Quando tais leis são violadas numa família, surgem compensações que atuam em outros membros da mesma (muitas vezes em membros que sequer haviam nascido quando o problema aconteceu). Graças à representação, o cliente pode perceber para onde olha o seu amor e como tais leis podem ser novamente respeitadas. Então ele pode, talvez, enxergar o próximo passo que o conduza de uma maneira mais leve na vida, solucionando a questão que o incomoda.

Porque o nome "Constelações"?

O nome original do trabalho desenvolvido por Bert Hellinger em alemão éFamilienaufstellung e significa, numa tradução literal,"Colocação [Representação] familiar". Porém o verbo "stellen" em alemão foi traduzido ao inglês como "constellate", ou seja, posicionar certos elementos numa configuração dada. Como o primeiro livro traduzido ao português veio do inglês, foi então traduzido como "constelações familiares". O termo "constelação" aqui nada tem a ver com estrelas, astrologia, esoterismo ou similares, mas tem sim uma conotação de uma representação onde os elementos são posicionados numa certa configuração de relações.

Esta abordagem tem algo em relação a alguma religião?

Não. A abordagem não está ligada a nenhuma religião ou credo. Também não pressupõe a necessidade de que o cliente creia em nada de antemão. É uma abordagem empírica e é baseada na própria percepção do cliente e dos representantes. Quem quer que misture essa abordagem com religião não está seguindo a metodologia segundo ela foi criada.

É necessário que o cliente saiba de todas as informações relativas a seus pais, avós e bisavós?

Não. Não é necessário. Como regra, quase sempre aquilo que atua em uma família nem sempre é totalmente sabido por todos os membros dessa família. Por exemplo, é comum que relações amorosas dos pais ou avós que antecedem o casamento dos mesmos sejam pouco conhecidas pelos filhos ou netos. Sendo assim seria inútil a alguém querer saber de antemão todas as informações relevantes, mesmo porque essa pessoa não saberia exatamente que informações buscar e nem com quem da família deveria fazê-lo. Habitualmente as constelações tem a propriedade de descortinar as informações cruciais que tem relevância. Aliás esse é o maior mérito dessa abordagem. Assim sendo, para quem deseja participar, sugerimos apenas relaxar e participar sem se ocupar em levantar informações prévias. O essencial se mostra através do trabalho em si.

Se vou para o workshop com três questões muito importantes, mas trabalho apenas uma, depois o que eu faço com as outras duas?

Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, quando trabalhamos com sistemas, observamos que poucas causas geram uma miríade de efeitos. Como diz Bert Hellinger, "todos os raios de uma roda se unem no mesmo centro". Uma desordem fundamental gera uma sequência de perturbações em diversos aspectos da vida do indivíduo que parecem a princípio desconectados entre si, mas na verdade estão ligados e são interdependentes. Já observamos pessoas constelarem até 4 temas "diferentes" e as 4 constelações, feitas por 4 consteladores diferentes gerarem ao final a mesma imagem de solução. Sendo assim, se você escolhe um tema realmente importante, a constelação o levará a um ponto essencial para a solução. Uma vez que tal imagem é tomada seriamente pelo cliente isso produz geralmente efeitos em diversos aspectos de sua vida. Por regra sugerimos a cada cliente que aguarde algum tempo antes de constelar "outros temas", exatamente por isso. Porém se depois de algum tempo os demais temas ainda permanecerem importantes e você ainda não estiver conseguindo resolvê-los sozinho, aí sim sugerimos uma nova constelação, caso você acredite que ela poderá ajudá-lo.

É indicado que vá a família inteira para constelar?

Não é preciso, mas isso não é proibido. Já tivemos diversas situações onde muitos membros de uma mesma família estavam presentes num grupo, e em todas as ocasiões sempre se mostrou útil para todos. Porém, quando se trabalha numa constelação sempre precisamos ter em conta que o melhor interesse de todos os membros familiares deve ser levado em consideração e o respeito por todos é uma condição primordial para o trabalho.

Posso colocar uma questão empresarial?

Claro. As empresas também estão submetidas as mesmas leis que regem as relações humanas, pois são compostas por pessoas. Nesse caso porém temos que levar em conta que somente podemos trabalhar com questões onde o participante tem poder de mudar, ou seja, não podemos constelar uma questão onde o poder de decisão na verdade pertence a outra pessoa, como por exemplo o meu chefe ou o dono do negócio no qual sou empregado. Posso entretanto constelar o departamento do qual sou chefe, pois aí tenho poder de decisão.

É possível constelar problemas com o dinheiro?

Sim, perfeitamente. Tais questões via de regra tem profundas ligações com as relações dentro da família.

Síndrome do pânico é possível constelar?

Não trabalhamos com o foco em doenças, mas em pessoas e suas questões. A síndrome do pânico é um diagnóstico médico e envolve uma reação a diversas questões de fundo familiar diferentes. Assim, não constelamos a “síndrome do pânico”, mas as questões e dificuldades ou temas da pessoa que talvez sofra com tal diagnóstico. Repetindo o que já dissemos antes, nas constelações não trabalhamos com diagnósticos médicos e não pretendemos substituir o tratamento médico ou nos colocar acima dos médicos e da medicina. Trabalhamos com foco nas dinâmicas de amor que atuam na família e isso às vezes tem profundos efeitos terapêuticos, mas não é um substituto para a medicina.

Sou professora, esta abordagem pode me ajudar com meus alunos?

Muito! Existe hoje inclusive no México e na Espanha universidades que ensinam essa abordagem aplicada às escolas – a Pedagogia Sistêmica. No Brasil, a editora Atman (www.atmaneditora.com.br) traduziu e publicou o livro Você é um de nós (Mariane Frank-Gricksch) – somente sobre a aplicação dessa abordagem feita por uma professora a suas turmas de ensino médio, com grande sucesso. No Brasil, o IBHBC inicia em julho 2011 um Curso de Pedagogia Sistêmcia composto por 03 módulos. Em nosso site também coletamos relatos de professores e educadores do Brasil que aplicaram com sucesso essa abordagem na sala de aula. Veja na parte de “Textos Pedagogia Sistêmica” de nosso site. O link éhttp://www.institutohellinger.com.br/principal/index.php?option=com_content&view=category&id=46&Itemid=96

Tenho que tomar uma decisão séria em minha vida, posso constelar isso?

Sim, e inclusive a constelação habitualmente pode revelar muito sobre a situação em si, ampliando a visão do tomador de decisão sobre as muitas questões contextuais que quase sempre a pessoa envolvida não consegue perceber por estar muito “dentro” da questão. No entanto, isso não deve ser usado como uma prescrição.

Sou muito cético, mesmo assim seria possível aproveitar algo desta abordagem?

Essa é uma abordagem empírica, ou seja, baseada na observação direta dos fenômenos que percebemos no cliente e nos representantes. Um ceticismo saudável é sem dúvida uma boa postura para quem deseja algo de qualquer abordagem, e também é o caso das constelações. Não se necessita nenhuma fé, crença, religião, etc. para poder participar e aproveitar algo. Hellinger descobriu certas “leis naturais” dos relacionamentos e tais leis são tão verificáveis quanto a lei da gravidade se nos dermos ao trabalho de observar. Aliás, sempre sugerimos aos participantes que não “acreditem” em nada, mas que verifiquem pela própria observação.

Esta abordagem tem algo com o esoterismo?

Não. Hellinger sempre fundamentou seu trabalho na observação empírica dos fenômenos observados através dos representantes e dos clientes mesmos. Conceitos como “alma” e “espírito” no trabalho de Hellinger tem bases empíricas verificáveis e nada tem a ver com os conceitos que tais palavras têm no jargão habitual. No entanto, diversos facilitadores efetivamente misturam práticas esotéricas em seu trabalho, e isso, à vezes, gera uma certa confusão levando o cliente a ter uma idéia deturpada do que realmente se trata uma Constelação.

Fonte: IBHBC (Instituto Bert Hellinger Brasil Central

Ordens da Ajuda em Constelações Familiares

Acho necessário dar um breve esclarecimento prévio sobre os dois vocábulos-chave do presente texto.

1. Ajuda, ajudante

O título original do artigo é Die Ordnungen des Helfens, literalmente: As Ordens do Ajudar, que prefiro traduzir por As Ordens da Ajuda, por ser mais consoante com nosso uso. Assim, deve-se entender por ajuda, no presente texto, principalmente a maneira de ajudar e a atitude de quem presta ajuda. Quem presta ajuda – no mais das vezes, profissionalmente – é o que Hellinger denomina “der Helfer”, e que traduzimos literalmente, na falta de termo melhor, por “o ajudante”. Nesta categoria estão compreendidos principalmente os que profissionalmente prestam assistência a outras pessoas (o médico, o terapeuta, o assistente social, o sacerdote...), como também aqueles que o fazem voluntariamente, em caráter não profissional.

2. Ordens

As “ordens”, no sentido típico de Bert Hellinger, são as leis, princípios ou ordenações básicas preestabelecidas, que devem presidir nossos comportamentos. Assim, as "ordens do amor” são as leis que devem presidir nossos relacionamentos, para que o amor seja bem sucedido, e cujo desconhecimento ou desrespeito pode ocasionar conseqüências funestas.
No presente texto, Bert Hellinger fala das ordens que devem presidir toda iniciativa de levar ajuda ao próximo e, de modo especial, a ação com objetivo ou efeito terapêutico.

A ajuda é uma arte. Como toda arte, envolve uma capacidade que pode ser aprendida e praticada. E envolve empatia em relação ao objeto, a saber, a compreensão do que corresponde a esse objeto e, simultaneamente, daquilo que o eleva, por assim dizer, acima de si mesmo, em algo mais abrangente.

Ajuda como compensação

Nós, seres humanos, dependemos, sob todos os aspectos, da ajuda dos outros, como condição de nosso desenvolvimento. Ao mesmo tempo, precisamos também de ajudar outras pessoas. Aquele de quem não se necessita, aquele que não pode ajudar outros, fica só e se atrofia. O ato de ajudar serve, portanto, não apenas aos outros, mas também a nós mesmos. Via de regra, a ajuda é um processo recíproco, por exemplo, entre parceiros. Ela se ordena pela necessidade de compensar. Quem recebeu de outros o que deseja e precisa, também quer dar algo, por sua vez, compensando a ajuda.
Muitas vezes, a compensação que podemos fazer através da retribuição é limitada. Isso ocorre, por exemplo, em relação a nossos pais. O que eles nos deram é excessivamente grande, para que o possamos compensar dando-lhes algo em troca. Só nos resta, em relação a eles, o reconhecimento pelo que nos deram e o agradecimento que vem do coração. A compensação pela doação, com o alívio que dela resulta, só se consegue, nesse caso, repassando essa dádiva a outras pessoas: por exemplo, aos próprios filhos.
Portanto, o processo de tomar e de dar se processa em dois diferentes patamares. O primeiro, que ocorre entre pessoas equiparadas, permanece no mesmo nível e exige reciprocidade. O outro, entre pais e filhos, ou entre pessoas em condição superior e pessoas necessitadas, envolve um desnível. Tomar e dar se assemelham aqui a um rio, que leva adiante o que recebe em si. Essa forma de tomar e dar é maior, e tem em vista também o que virá depois. Nesse modo de ajudar, o que foi doado se expande. Aquele que ajuda é tomado e ligado a uma realização maior, mais rica e mais duradoura.
Esse tipo de ajuda pressupõe que nós próprios tenhamos primeiro recebido e tomado. Pois só então sentimos a necessidade e temos a força para ajudar a outros, especialmente quando essa ajuda exige muito de nós. Ao mesmo tempo, ela parte do pressuposto de que as pessoas a quem queremos ajudar também necessitam e desejam o que podemos e queremos dar a elas. Caso contrário, nossa ajuda se perde no vazio. Então ela separa, ao invés de unir.

A primeira ordem da ajuda

A primeira ordem da ajuda consiste, portanto, em dar apenas o que temos, e em esperar e tomar somente aquilo de que necessitamos. A primeira desordem da ajuda começa quando uma pessoa quer dar o que não tem, e a outra quer tomar algo de que não precisa; ou quando uma espera e exige da outra algo que ela não pode dar, porque não tem. Há desordem também quando uma pessoa não tem o direito de dar algo, porque com isso tiraria da outra pessoa algo que somente ela pode ou deve carregar, ou que somente ela tem a capacidade e o direito de fazer. Assim, o dar e o tomar estão sujeitos a limites, e pertence à arte da ajuda percebê-los e respeitá-los.
Essa ajuda é humilde, e muitas vezes, em face da expectativa e da dor, ela renuncia a agir. O trabalho com as constelações familiares coloca diante de nossos olhos o que deve exigir quem ajuda, tanto de si mesmo quanto da pessoa que busca ajuda. Essa humildade e essa renúncia contradizem muitas concepções usuais sobre a correta maneira de ajudar, e freqüentemente expõem o ajudante a graves acusações e ataques.

A segunda ordem da ajuda

A ajuda está a serviço da sobrevivência, por um lado, e da evolução e do crescimento, por outro. Todavia, a sobrevivência, a evolução e o crescimento também dependem de circunstâncias especiais, tanto externas quanto internas. Muitas circunstâncias externas são preestabelecidas e não são modificáveis: por exemplo, uma doença hereditária, as conseqüências de acontecimentos ou de uma culpa. Quando a ajuda deixa de considerar as circunstâncias externas ou se recusa a admiti-las, ela se condena ao fracasso. Isto vale, com maior razão, para as circunstâncias internas. Elas incluem a missão pessoal particular, o envolvimento nos destinos de outros membros da família, e o amor cego que, sob o influxo da consciência, permanece vinculado ao pensamento mágico. O que isso significa em casos particulares eu expus exaustivamente em meu livro “ Ordens do Amor”, no capítulo “Do céu que faz adoecer, e da terra que cura”.
Para muitos ajudantes, o destino da outra pessoa pode parecer difícil, e gostariam de modificá-lo; não, porém, muitas vezes, porque o outro o necessite ou deseje, mas porque os próprios ajudantes dificilmente suportam esse destino. E quando o outro, não obstante, se deixa ajudar por eles, não é tanto porque precise disso, mas porque deseja ajudar o ajudante. Então, quem ajuda realmente está tomando, e quem recebe a ajuda se transforma em doador.
A segunda ordem da ajuda é, portanto, que ela se amolde às circunstancias e só intervenha com apoio na medida em que elas o permitem. Essa ajuda mantém reserva e possui força. Há desordem da ajuda, neste caso, quando o ajudante nega as circunstâncias ou as encobre, ao invés de encará-las, juntamente com a pessoa que busca a ajuda. Querer ajudar contra as circunstâncias enfraquece tanto o ajudante quanto a pessoa que espera ajuda ou a quem ela é oferecida ou mesmo imposta.

O protótipo da ajuda

O protótipo da ajuda é a relação entre pais e filhos e, principalmente, a relação entre a mãe e o filho. Os pais dão, os filhos tomam. Os pais são grandes, superiores e ricos, ao passo que os filhos são pequenos, necessitados e pobres. Contudo, porque os pais e os filhos são ligados entre si por um profundo amor, o dar e o tomar entre eles pode ser quase ilimitado. Os filhos podem esperar quase tudo de seus pais. E os pais estão dispostos a dar quase tudo a seus filhos. Na relação entre pais e filhos, as expectativas dos filhos e a disposição dos pais para atendê-las são necessárias; portanto, estão em ordem.
Contudo, elas só estão em ordem enquanto os filhos ainda são pequenos. Com o avançar da idade, os pais vão impondo aos filhos, em escala crescente, limites com os quais eles eventualmente se atritam e podem amadurecer. Estarão sendo os pais, nesse caso, menos bondosos para com seus filhos? Seriam pais melhores se não colocassem limites? Ou, pelo contrário, eles se manifestam como bons pais justamente ao exigirem de seus filhos algo que também os prepara para uma vida de adultos? Muitos filhos ficam então com raiva de seus pais, porque preferem manter a dependência original. Contudo, justamente porque os pais se retraem e desiludem essas expectativas, eles ajudam seus filhos a se livrarem dessa dependência e, passo a passo, a agirem por própria responsabilidade. Só assim os filhos tomam o seu lugar no mundo dos adultos e se transformam de tomadores em doadores.

A terceira ordem da ajuda

Muitos ajudantes, por exemplo, na psicoterapia e no trabalho social, acham que precisam ajudar os que lhes pedem ajuda, da mesma forma como os pais ajudam seus filhos pequenos. Inversamente, muitos que buscam ajuda esperam que os ajudantes se dediquem a eles como os pais se dedicam a seus filhos, no intuito de receber deles, tardiamente, o que esperam e exigem dos próprios pais.
O que acontece quando os ajudantes correspondem a essas expectativas? Eles se envolvem numa longa relação. Aonde leva essa relação? Os ajudantes ficam na mesma situação dos pais, em cujo lugar se colocaram com essa vontade de ajudar.
Passo a passo, eles precisam impor limites aos que buscam ajuda, decepcionando-os. Então estes desenvolvem freqüentemente, em relação aos ajudantes, os mesmos sentimentos que tinham antes em relação a seus pais. Assim, os ajudantes que se colocaram no lugar dos pais, querendo mesmo, talvez, ser pais melhores, tornam-se, para os clientes, iguais aos pais deles. Porém muitos ajudantes permanecem presos na transferência e na contratransferência da relação entre filho e pais. Com isso, dificultam ao cliente a despedida, tanto de seus pais quanto dos próprios ajudantes. Ao mesmo tempo, uma relação segundo o modelo da transferência entre pais e filhos impede também o desenvolvimento pessoal e o amadurecimento do ajudante.
Vou ilustrar isso com um exemplo:
Quando um homem jovem se casa com uma mulher mais velha, ocorre a muitos a imagem de que ele procura um substitutivo para sua mãe. E o que procura ela? Um substitutivo para seu pai. Inversamente, quando um homem mais velho se casa com uma moça mais jovem, muitos dizem que ela procurou um pai. E ele? Procurou uma substituta para sua mãe. Assim, por estranho que soe, quem se obstina por muito tempo numa posição superior e mesmo a procura e quer manter, recusa-se a assumir seu lugar entre adultos equiparados.
Existem, porém, situações, em que convém que, por algum tempo, o ajudante represente os pais: por exemplo, quando um movimento amoroso precocemente interrompido precisa ser levado a seu termo. Contudo, diferentemente da transferência da relação entre pais e filhos, o ajudante apenas representa aqui os pais reais. Ele não se coloca em lugar deles, como se fosse uma mãe melhor ou um pai melhor. Por esta razão, também não é preciso que o cliente se desprenda do ajudante, pois este o leva a afastar-se dele e a voltar-se para os próprios pais. Então o ajudante e cliente se liberam mutuamente.
Mediante a adoção desse padrão de sintonia com os pais verdadeiros, o ajudante frustra, desde o início, a transferência da relação entre os pais e o filho. Pois, quando respeita em seu coração os pais do cliente, e fica em sintonia com esses pais e seus destinos, o cliente encontra nele os seus pais, dos quais já não pode esquivar-se. A mesma coisa vale quando o ajudante precisa lidar com crianças ou deficientes físicos. Na medida em que ele apenas representa os pais, e não se coloca em seu lugar, os clientes podem sentir-se em segurança com ele.
A terceira ordem da ajuda seria, portanto, que, diante de um adulto que procura ajuda, o ajudante se coloque igualmente como um adulto. Com isso, ele recusa as tentativas do cliente para fazê-lo assumir o papel dos pais. É compreensível que essa atitude do ajudante seja sentida e criticada, por muitas pessoas, como dureza. Paradoxalmente, essa “dureza” é criticada por muitos como arrogância. Quem olha bem, vê que a arrogância consistiria antes no envolvimento do ajudante numa transferência da relação entre pais e filho.
A desordem da ajuda consiste aqui em permitir a um adulto que faça ao ajudante as exigências de um filho a seus pais, para que o trate como criança e o poupe de algo pelo qual somente o cliente pode e deve carregar a responsabilidade e as conseqüências. É o reconhecimento dessa terceira ordem da ajuda que constitui a mais profunda diferença entre o trabalho das constelações familiares e psicoterapia habitual.

A quarta ordem da ajuda

Sob a influência da psicoterapia clássica, muitos ajudantes freqüentemente encaram seu cliente como um indivíduo isolado. Com isso, também se expõem facilmente ao risco de assumirem a transferência da relação entre pais e filho. Contudo, o indivíduo é parte de uma família. Somente quando o ajudante o percebe assim é que ele percebe de quem o cliente precisa, e a quem ele possivelmente está devendo algo.
O ajudante realmente percebe o cliente a partir do momento em que o vê junto com seus pais e antepassados, e talvez também junto com seu parceiro e com seus filhos. Então ele percebe quem, nessa família, precisa principalmente de sua atenção e de sua ajuda, e a quem o cliente precisa dirigir-se para reconhecer os passos decisivos e levá-los a termo. Isto significa que a empatia do ajudante precisa ser menos pessoal e – principalmente - mais sistêmica. Ele não se envolve num relacionamento pessoal com o cliente. Esta é a quarta ordem da ajuda.
A desordem da ajuda, neste caso, consistiria em não contemplar nem honrar outras pessoas essenciais, que teriam em suas mãos, por assim dizer, a chave da solução. Incluem-se entre elas, sobretudo, aquelas que foram excluídas da família, por exemplo, porque os outros se envergonharam delas.
Também aqui é grande o perigo de que essa empatia sistêmica seja sentida como dureza pelo cliente, sobretudo por aqueles que fazem reivindicações infantis ao ajudante. Pelo contrário, aquele que busca a solução, de maneira adulta, sente esse enfoque sistêmico como uma liberação e uma fonte de força.

A quinta ordem da ajuda

O trabalho da constelação familiar aproxima o que antes estava separado. Nesse sentido, ele está a serviço da reconciliação, sobretudo com os pais. O que impede essa reconciliação é a distinção entre bons e maus membros da família, tal como é feita por muitos ajudantes, sob o influxo de sua consciência e de uma opinião pública presa nos limites dessa consciência. Por exemplo, quando um cliente se queixa de seus pais, das circunstâncias de sua vida ou de seu destino, e quando um ajudante se associa à visão desse cliente, ele serve mais ao conflito e à separação do que à reconciliação. Portanto, alguém só pode ajudar, no sentido da reconciliação, quando imediatamente dá um lugar em sua alma à pessoa de quem o cliente se queixa. Assim, o ajudante antecipa na própria alma o que o cliente ainda precisa realizar na sua.
A quinta ordem da ajuda é portanto o amor a cada pessoa como ela é, por mais que ela seja diferente de mim. Dessa maneira, o ajudante abre a essa pessoa o seu coração, de modo que ela se torna parte dele. Aquilo que se reconciliou em seu coração também pode reconciliar-se no sistema do cliente. A desordem da ajuda seria aqui o julgamento sobre outros, que geralmente é uma condenação, e a indignação moral associada a isso. Quem realmente ajuda, não julga
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Livro: Ordens da Ajuda pela Editora Atman

As Ordens do Amor em Constelações Familiares


Bert Hellinger acredita que a vida de uma família é permeada por quatro princípios básicos, que ele chama de Ordens do Amor. Ele escolheu esse nome porque concluiu que as dinâmicas familiares são, no fundo, sempre regidas pelo amor, por mais complexas, intrincadas ou trágicas que possam parecer. O amor está na raiz de praticamente todos os nossos comportamentos – mesmo que não tenhamos consciência disso. “Para Hellinger, o amor é o único sentimento básico”, afirma Régis Coelho. “Outros sentimentos, como raiva e medo, são secundários, porque derivam da falta de amor.”

A primeira dessas ordem a da pertinência. Todo ser humano tem o direito de pertencer ao sistema que o colocou no mundo. Parece óbvio, mas é um princípio fundamental nessa terapia. O ato de excluir um parente traz sempre conseqüências graves, seja qual for o motivo da exclusão: uma avó que enlouqueceu e foi trancada num quarto pelo resto da vida; um tio suicida que nunca mais foi mencionado por ninguém; uma moça que engravidou e foi expulsa de casa; um parente que faliu e deixou de ser aceito no convívio familiar.

Segundo a ordem da pertinência, quando um indivíduo é excluído, uma criança que nasce na mesma família, uma ou duas gerações depois, acaba assumindo inconscientemente várias características dele. “Essa é uma forma que o universo encontra para reequilibrar o sistema familiar”, explica Régis. Por isso, um pai que expulsou de casa uma filha grávida, por exemplo, pode ter que encarar, anos depois, uma neta adolescente que escandaliza a família com seu comportamento sexual.

A segunda ordem é a da inocência e culpa. Por um amor inocente aos pais, as crianças assumem para si culpas e responsabilidades deles, com o objetivo de manter o sistema unido. Trata-se de decisões inconscientes tomadas na primeira infância, mas que repercutem ao longo de toda a vida. Um menino de quatro anos de idade cujo pai faliu, deixando a família na miséria, pode se sentir culpado por essa situação; então, aos trinta anos ele também vai falir, por uma identificação inconsciente com o pai.

A terceira ordem fala sobre dar e receber. Os pais têm a obrigação de dar; os filhos têm o direito de receber e de tomar para si aquilo de que precisam para sobreviver. Quando esse princípio se inverte, as conseqüências podem ser graves. Uma mãe que, por algum motivo, não se sente segura o bastante para enfrentar a vida sozinha pode, por exemplo, usar sua filha mais velha como uma espécie de “muleta”, solicitanto que assuma responsabilidades para as quais a criança não está preparada. Situações desse tipo podem levar a uma série de sintomas, como, por exemplo, crises de depressão, que podem se manifestar inclusive na idade adulta.

A quarta ordem é a do tempo. O tempo é o fator que estabelece ordem no sistema familiar. Em primeiro lugar vêm o pai e a mãe; em segundo lugar, o relacionamento entre o pai e a mãe; em terceiro, o filho mais velho; depois o segundo filho, e assim por diante. Quando essa ordem é rompida, cria-se um conflito sério na família. É o caso de um filho caçula que luta para tomar o lugar do mais velho, de uma filha quer ter a mesma autoridade que a mãe ou de uma mãe que “usa” um dos filhos como companheiro, para protegê-la de um marido agressivo ou substituir um pai que ela não teve.

Livro: Ordens do amor pela Editora Cultrix

segunda-feira, março 28, 2011

Vídeo de uma constelação

Muitas pessoas têm perguntado sobre constelações...  Abaixo há o vídeo de uma constelação, que foi encontrado no youtube, esta constelação foi realizada num programa espírita. É apenas para ilustrar, pois o método TSFI acrescenta os sons.
De qualquer modo, é importante salientar que a constelação não está relacionada a uma determinada religião, é um método terapêutico. Bom, acessem...

Vídeo com uma constelação :




Porém, para conhecer constelações (por tratar-se de uma ferramenta terapêutica com bases na fenomenologia), é interessante participar!


domingo, março 20, 2011

Uma Metodologia totalmente Fenomenológica e Integrativa – TSFI (por Alexandra Caymmi) - texto de Maria Angélica Soares



A TSFI, Terapia Sistêmica Fenomenológica Integrativa é uma metodologia de trabalho terapêutico, de caráter inovador, que foi criada por Alexandra Caymmi.

A princípio baseada na sabedoria e visão sistêmica de Bert Hellinger, foi sendo aperfeiçoada ao longo dos anos por sua criadora e, atualmente, trabalha e libera traumas, movimentos interrompidos, memória celular, integração das partes perdidas no decorrer do tempo pela vivência de eventos traumáticos.

A TSFI tem como acréscimo os conhecimentos de Alexandra Caymmi que introduziu a Técnica de Liberação de Traumas (Traumaterapia), o Xamanismo, com movimentos de cura, trazidos da sabedoria ancestral do universo xamânico e o uso dos Sons e do Canto, também como instrumentos de cura.

Traumaterapia - Numa situação perigosa, a pessoa produz muita energia, muito mais do que numa situação regular. Numa tal situação, a pessoa tem três possibilidades (segundo Peter Levine, 1998) de reagir: lutar, fugir ou ficar petrificado. Nas situações onde lutar ou fugir é possível, a pessoa utiliza a energia mobilizada e neste caso, não fica traumatizada. Mas, existem situações que nem fugir e nem lutar é possível, e a pessoa fica “petrificada”. A energia mobilizada fica bloqueada no corpo, o que produz o trauma. O trauma fica presente no corpo da pessoa e em muitas situações da vida, a pessoa ainda se comporta como se estivesse vivendo o trauma no presente. Os traumas podem ter sido vivido por nós, por outra pessoa ou outras pessoas das gerações anteriores e/ou pelo nosso povo. Todos estes traumas estão inscritos em nós. São necessários para trabalhar estes traumas “movimentos da alma” e constelações onde também aparecem as partes da pessoa (a força, a confiança, etc.). Durante o trauma a gente perde ou afasta-se muitas vezes de uma ou de várias partes de si mesmo. (Por exemplo: a força, a confiança, a expressão das nossas emoções e dos nossos sentimentos...). Trabalhando nas constelações em TSFI, libertamos o bloqueio energético que o trauma criou e reintegramos as partes perdidas. Desse jeito, passamos a ser mais íntegros.

O Xamanismo, como Caminho Ancestral, é a herança e a trajetória da própria Humanidade em busca da cura e de uma consciência de Ser e Caminhar nesse mundo. Busca a Sabedoria e Plenitude, de acordo com o movimento do Universo, reconectando-nos com caminhos e raízes ancestrais. É possível aplicar essa herança natural em nosso momento contemporâneo, no aqui e no agora, transformando nossa trajetória em uma vida repleta de potencialidades e redescobertas.

Cantos e Sons- Nosso Conhecimento Ancestral, baseado nas comunidades tradicionais, nos ensina que o som é considerado como uma expressão poderosa da essência das coisas. Um canto é a energia de um objeto ou de uma história manifestada no som. A música sempre teve o poder de provocar uma reação emocional. Ela contorna a lógica analítica e se comunica diretamente com a nossa alma. Mesmo que os cantos sejam cantados em outra língua, a linguagem da alma é compreendida por meio das ondas sonoras ou palavras emitidas no canto.

A Terapia de Constelações Familiares, metodologia criada por Bert Hellinger, é o resultado dos últimos trabalhos de seu criador e vem expandindo no mundo todo, mais especificamente no Brasil desde a década de 80, pela descoberta de estruturas e padrões desconhecidos até então. O trabalho com as Constelações Familiares nos ajuda a descobrir de que forma estamos enredados dentro do sistema energético familiar. Muitos dos sentimentos que nos atormentam são sentimentos alheios, adotados de outros membros da família e, com o desenho vivo e sensorial de nossa “Constelação Familiar”, percebemos a teia invisível em que estamos entrelaçados. Com este trabalho, vamos compreender que todos os membros de uma família, vivos ou mortos, estão energeticamente presentes na estrutura familiar, influenciando profundamente nossos sentimentos, atitudes e até mesmo nossa saúde.
A partir daí o trabalho é de reconciliação, redirecionando da energia bloqueada dentro da pessoa. A preocupação aqui não é procurar as causas dos problemas, mas sim dissolver enredos antigos, liberando a força dentro de cada um de nós para uma vida satisfatória e desimpedida, preenchendo o desejo natural de ligação e de equilíbrio.

Na TSFI o trabalho é realizado dentro de um campo energético, onde acessamos o infinito de possibilidades de consciência das energias e das informações, as que são mais importantes para a dissolução dos traumas e conflitos, realizando uma investigação profunda das dinâmicas que causam os bloqueios. As energias e informações são trabalhadas e investigadas por meio de uma metodologia totalmente fenomenológica, realizando intervenções de cura e liberação, partindo-se do que é sentido dentro deste campo energético, onde se vivencia, ao mesmo tempo, passado, presente e futuro. Tais intervenções são os movimentos xamânicos (tomando certas posições com o corpo e com as mãos, é possível provocar uma mudança nos centros de energia das pessoas e desse jeito libertar os bloqueios), o canto de músicas e sons, e outros recursos necessários à liberação e cura dos bloqueios do cliente.

Como acontece o trabalho:

O cliente coloca a questão que quer resolver, da forma mais sucinta possível e escolhe pessoas do grupo para representar a si mesmo, os indivíduos envolvidos na questão exposta, sintomas físicos ou um tema que seja de importância para o cliente ver, entender ou liberar. O cliente, geralmente, fica de fora assistindo e tem a oportunidade de observar a situação de conflito que determinou o bloqueio dentro do seu tema. Em algumas ocasiões é possível que o cliente participe, mas isso ocorre muito raramente, pois, há uma diferença vibracional entre o “cliente” representado no campo e o cliente que está de fora assistindo. Estes, normalmente, não estão na mesma sintonia, pois o trabalho realizado no campo energético se processa numa dimensão e frequência diferentes do que a do cliente que assiste.

É papel do facilitador em TSFI, perceber a unidade que liga todo o sistema no qual os representantes são componentes e realizar os movimentos xamânicos, cantos ou afirmações investigativas necessárias junto aos representantes para que possa fluir, acompanhando as energias e informações presentes no campo, de forma fenomenológica e dentro do movimento do espírito. Os representantes estão dentro do movimento da alma e são como canais de conexão com as energias e informações necessárias para a liberação dos traumas e dinâmicas que estão por trás dos bloqueios, sejam de origem familiar ou não, sejam originários do que o cliente viveu ou carrega. É importante assinalar que em TSFI não se faz necessário um número muito grande de informações sobre a história familiar do cliente, pois o que se busca é exatamente o que for, precisamente, mais importante para liberar o bloqueio do cliente e isso pode não ter exatamente a ver com as informações sobre sua origem familiar ou de nascimento.

A intenção principal do trabalho é reencontrar a nossa Unidade dentro do movimento da Vida e para que isso aconteça é importante liberar o que não nos pertence (Constelações Familiares tradicionais) e reintegrar o que nos falta (trabalho de traumas elaborado pela Alexandra)

A TSFI tem sido uma metodologia de trabalho e uma terapia sistêmica fenomenológica de grande profundidade terapêutica, dissolvendo nós e bloqueios importantes, trazendo resoluções de conflitos e realizando saltos quânticos de cura e consciência na vida das pessoas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

(1) Dewhurst-Maddock, Olivea - “ A Terapia pelo som – auto-cura pela música e expressão vocal” – pag. 90/91.

2) Levine, P.A. (1998). Trauma-Heilung. Das Erwachen des Tigers. Essen: Synthesis Verlag. English: The Tiger; healing Trauma. California: North Atlantic Books.


(3) Ruppert, F. (2005). Trauma, Bindung und Familienstellen. Seelische Verletzungen verstehen und heilen. Stuttgart: Pfeiffer bei Klett-Cotta


(4) “Lernen mit Bert Hellinger – ein Schulungskurs“ Salzburg, Februar 2006


(5) „Le Pouvoir Guérisseur de l’eau“ Masaru Emoto/Jürgen Fliege, 2005, Edit. Guy Trédaniel Editeur, Paris


(6) « La sagesse du Shaman » Tony Samara, 2006, Edit. Dangles, Saint-Jean-de Braye (France)


(7) « www.hellinger-international.com/data/ZukunftFam.shtml »


(8) ASTI-VERA, A. Metodología da pesquisa científica. Porto Alegre: Globo, 1980. In Caderno de Pesquisas em Administração, São Paulo, v. 1, n° 11, 1° Trim./2000


(9) BOWLBY, James. Attachment and loss. (1969, 1973, 1980) Basic Books, New York


(10) BRAZELTON, T.B. Pre-birth memories appear to have lasting effect. Brain/Mind Bulletin, 7(5), 2. 1982


(11) DSM-IV, version mini. American Psychiatric Association. (1994) Critères diagnostiques (Washington DC). Traduction française par J.D. Guelfi et al., Masson, Paris, 1996, 384 pages.